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Ela não titubeia quando diz que é o único mito vivo da Música Nordestina. Marinês recuperou-se de uma cirurgia de ponte de safena e esbanjou vitalidade no show realizado em Campina Grande durante o Maior São João do Mundo, no domingo, 20 de junho.
Em entrevista ao Planaltoonline.com.br, Marinês revelou ter sido convidada para animar os festejos juninos fora de época em Nova Iorque, mas reluta em aceitar. Tem medo de viajar de avião.
Planaltoonline.com.br - É verdade que em sua primeira apresentação em um programa de calouros, você ganhou um sabonete?
Marinês - A primeira vez que eu cantei em uma rádio, foi na Rádio Cariri. Mas, a primeira vez que eu tive vontade de cantar em um microfone foi no Bairro da Liberdade, em Campina Grande, um serviço de autofalantes. O prêmio para quem escapasse do gongo era simples mesmo, uma pasta de dentes, um sabonete... itens que eram comprados ali mesmo, nas mercearias do bairro. Eu me senti muito feliz porque ganhei algo cantando. Foi como se tivesse ganho um cachê de milhões. E eu nem sabia que existia cachê. Só queria cantar...
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Planaltoonline.com.br - A profissão de cantora foi uma certeza desde sempre?
Marinês - Eu gostava de cantar, mas nunca pensei em fazer isso profissionalmente. Era uma menina pobre e jamais pensei nestas coisas. Eu comecei a tomar gosto por causa das músicas de Luiz Gonzaga. Cantei muito com Zezinho da Manola e Pedro Beicinho, os músicos de sucesso nos bailes. Eu fui cantora de orquestra, de boate. Era de menor, mas já era casada e meu marido era produtor do meu trabalho. De tudo já fiz um pouco, Cinema, Teatro. Participei de um filme "Rico ri á toa" [direção de Roberto Farias, 1957] cantando "Peba na Pimenta".
Planaltoonline.com.br - Seu pai era cangaceiro de Lampião?
Marinês - Não. Ele não era cangaceiro de Lampião. Era um homem que se defendia e era considerado bravo. As pessoas geralmente consideravam, naquela época, os homens bravos como cangaceiros. Ele andava armado e com aqueles apetrechos típicos dos cangaceiros.
Planaltoonline.com.br - Mas, não tinha proximidade com Virgulino Ferreira, o Lampião?
Marinês - Tinha, sim, mas eu não acredito que meu pai fosse cangaceiro. Ele nunca matou ninguém, mas não agüentava abuso. Era de pouca conversa...
Planaltoonline.com.br - Você concorda com a definição de único mito vivo da Música Nordestina?
Marinês - Lógico. Porque sou mesmo. Era Luiz Gonzaga, depois o Lindu, do Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro. Todos já se foram e agora, desta época, só sobrei eu.
Planaltoonline.com.br - Como você analisa a Música Nordestina de hoje?
Marinês - É uma Música de Plástico. Já mexeram, fruticaram tanto que a fonte continua sendo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Lindu, mas hoje em dia, basta ter corpinho bonito, botar "as coisas para fora" e pronto: virou cantora.
Planaltoonline.com.br - E o convite para fazer show no São João fora de época em Nova Iorque?
Marinês - Fui convidada e disse que iria. Tenho que criar coragem. O convite veio através de um amigo de meu filho, Marquinhos, que é sanfoneiro. Ele produz shows e vai aos Estados Unidos três vezes por ano. Tem um músico, Trevisan, que entrou lá como clandestino, e admira meu trabalho. Ele disse que queria que eu fosse. Não tenho interesse de conhecer nada em Nova Iorque porque o Brasil já é muito bonito. Material humano, cantores e artistas, nós temos muito. Vou rever os nordestinos que estão lá.
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Planaltoonline.com.br - Em 2003, você fez um show contido. Foi após uma cirurgia de ponte de safena. Em 2004, você esbanjou vitalidade. Como está a saúde?
Marinês - Bem. Já faz um ano e seis meses que passei pela cirurgia e estou fazendo tudo que devo. Ano passado eu lancei um CD que chegou meio atrasado. Eu deixei para divulgar este ano. Tenho vendido muito e me preparo para o ano que vem. Tenho um convite de uma gravadora, mas ainda não defini nada neste sentido. |